aguarde...

Música trazida pelo carteiro Contos Musicais

Um dia resolvi escrever para uma revista musical, daquelas que tem partituras para violão e piano. No final da revista tinha a página de contatos. Podia-se publicar qualquer assunto profissional. Naquela época não tinha ainda internet e computado .

Era 1993. E então na última página enviei meu recado dizendo que gostaria de trocar cartas ou correspondências sobre música, sobre Educação Musical Infantil. E para minha surpresa o carteiro me entregou uma carta em Setembro de um professor de violão de Niterói que dizia que não tinha nenhuma experiência musical infantil mas que gostava de fazer amizades.

E me perguntou se eu gostaria de me corresponder com ele . Fiquei pensando sobre suas intenções e silenciei. Logo ele começou a me enviar fitas cassete gravadas por ele com trilhas sonoras de filmes, de desenhos animados, jazz, muito bem selecionadas, lindas! Meu filho era bebezinho, estava na fase de engatinhar, mas não gostava, ficava brincando no chão enquanto eu cozinhava.

Tocou o telefone e eu estava fritando bananas, atendi e era o tal professor de violão de Niterói. Não sei porquê, quando atendi eu sabia que era ele. Trocamos cartas ( entregues pelo carteiro) e nelas o número de telefone, só um telefone : o residencial. E eu esperava este carteiro chegar, porque a casa não tinha portão, nem caixa de correio e muitas vezes vinha uma fita cassete e eu precisava espera-lo.

                        Eu não sabia se tomava conta do meu bebê no chão da cozinha ( que ainda era grande) se fritava bananas , se segurava o telefone sem fio e conversava. No final das contas fiz tudo ao mesmo tempo. E assim nasceu uma amizade musical. Um  profissional que sempre me deu ideias sobre investimentos musicais. E com a coragem que ele injetava nas conversas por telefone ou nas cartas, eu fui tomando coragem de voltar ao mundo musical. Abri uma escola em casa, na sala que construí comprando material semanalmente durante 2 anos , dinheiro que vinha de casamentos que eu tocava aos sábados. Chamava-se Musicalizar- Si ! Era para crianças. E meu segundo filho  cresceu se musicalizando. O primeiro teve aulas de piano comigo e várias outras professoras minhas amigas.

Depois disso, me inscrevi para dar aulas numa escola que estava abrindo na cidade. E fui selecionada. Eu não acreditava mais em mim, nem sabia quem eu era mais, me perdi totalmente da música e de mim mesma e este profissional que se tornou um terapeuta e amigo musical, com injeções de ânimo ( e muitas ) me fez voltar à minha essência.

E foi então que eu iniciei o reencontro comigo mesma. Eu estava com saudade de mim! A música foi me proporcionando este mergulho!

A música tem este poder, antes dela, um empurrão bem forte de um profissional da área que se corresponde até hoje comigo, agora pela internet, mas nunca nos encontramos pessoalmente e nos ‘conhecemos’ há 18 anos !

Este marco é o início de uma trajetória de pesquisas, descobertas, de reencontro com minha essência, tudo através da música!

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